Um software sob medida no Brasil custa, em 2026, entre R$ 15 mil e R$ 40 mil para um sistema simples, R$ 40 mil a R$ 100 mil para uma plataforma web com vários módulos e R$ 150 mil a R$ 300 mil ou mais para um sistema corporativo. A conta por trás é sempre a mesma: horas de trabalho × valor da hora. O que muda de um projeto para outro é o número de horas — e é ele que vale entender antes de pedir orçamento.
Os números acima são referência de mercado, não preço de tabela. Eles servem para uma coisa: saber se a proposta que chegou na sua mesa está no planeta certo.
Como o preço é calculado
Quase todo orçamento de software, mesmo quando vem como “preço fechado”, nasce de uma estimativa de horas multiplicada por um valor/hora. As referências de 2026:
- Freelancer: de R$ 50 a R$ 150 por hora, conforme a senioridade.
- Software house: de R$ 120 a R$ 280 por hora. A diferença para o freelancer paga gestão, design, testes, infraestrutura e alguém para responder quando a pessoa que escreveu o código sair de férias.
Com isso, a conta fica legível. Um sistema de R$ 60 mil, a R$ 150 por hora, são 400 horas — algo como dois meses e meio de uma pessoa em tempo integral, ou um mês de uma equipe pequena. Se a proposta promete o mesmo escopo em metade das horas, alguma coisa ficou de fora. Em geral, os testes.
Quanto custa um software personalizado, por porte
| Porte | Exemplo | Faixa de mercado | Prazo típico |
|---|---|---|---|
| Sistema simples | Controle de um processo, poucos cadastros e relatórios | R$ 15 mil – R$ 40 mil | 1 a 3 meses |
| MVP de produto | Primeira versão para validar uma ideia com usuário real | R$ 20 mil – R$ 90 mil | 2 a 4 meses |
| Plataforma com módulos | Vários perfis de acesso, integrações, painel de gestão | R$ 40 mil – R$ 100 mil | 3 a 6 meses |
| Sistema corporativo | Muitos usuários, regras complexas, alta disponibilidade | R$ 150 mil – R$ 300 mil ou mais | 6 meses ou mais |
Duas observações honestas sobre essa tabela.
Primeiro, as faixas se sobrepõem porque “simples” e “complexo” não se medem em telas. Um sistema de cinco telas com uma regra de cálculo de custo industrial pode dar mais trabalho que um de trinta telas de cadastro.
Segundo, quem publica esses números — nós incluídos — vende desenvolvimento. Use a tabela para calibrar a conversa, não para fechar orçamento.
Quanto custa desenvolver um sistema ou um ERP
Desenvolver um sistema para um processo específico — programação da produção, apontamento, controle de qualidade, orçamento técnico — cai quase sempre nas duas primeiras linhas da tabela. É um recorte definido, com dono e com regra conhecida.
Desenvolver um ERP completo é outra conversa. Um ERP cobre fiscal, contábil, financeiro, compras, estoque, vendas e produção, e a parte fiscal muda por regra de fora — o que obriga manutenção permanente. Construir isso do zero joga o projeto bem acima da faixa corporativa e raramente faz sentido para uma empresa que não vende ERP.
O caminho que costuma fechar a conta é outro: comprar o ERP e construir sob medida só o pedaço que ele não cobre, integrado a ele. Na indústria, esse pedaço costuma ser o chão de fábrica — o que acontece entre a ordem de produção sair do ERP e o produto ficar pronto. A diferença entre ERP e MES explica onde fica essa fronteira, e quando vale construir em vez de comprar ajuda a decidir de que lado o seu processo está.
Quanto custa um app
Um aplicativo de celular segue a mesma lógica de horas, com três diferenças:
- Duas plataformas. Android e iOS. Com tecnologia multiplataforma, um código só atende as duas, o que evita pagar o app duas vezes — mas ainda exige teste nas duas.
- Lojas. A Apple cobra US$ 99 por ano para publicar na App Store; o Google, US$ 25 uma vez só. E cada atualização passa por revisão da loja, o que entra no prazo.
- Quase sempre existe um sistema por trás. O app que o operador usa no chão de fábrica conversa com um painel web e com um servidor. O orçamento do app que ignora essa parte está incompleto.
Na prática, um app com painel de gestão entra na faixa de plataforma com módulos.
O que faz o preço subir (e descer)
O que mais pesa no número de horas, em ordem de impacto:
- Regras de negócio. Cálculo de custo, sequenciamento, aprovações em cadeia, exceções. É aqui que mora a maior parte do trabalho — e a maior parte do valor.
- Integrações. Cada sistema com o qual o software precisa conversar (ERP, banco, portal, máquina) é um projeto dentro do projeto. Depende da qualidade da API do outro lado, que você não controla.
- Perfis e permissões. Quem vê o quê, quem aprova o quê. Parece detalhe e não é.
- Prazo. Prazo curto não reduz horas — aumenta. Exige mais gente em paralelo e mais coordenação.
- Escopo que muda no meio. É a maior causa de estouro de orçamento. Não porque mudar seja errado, mas porque ninguém combinou como a mudança seria tratada.
E o que faz descer de verdade:
- Um processo já definido. Software não organiza processo indefinido — ele o congela. Se as regras estão na cabeça de três pessoas que discordam entre si, o projeto vai pagar pela reunião que não aconteceu.
- Um dono com poder de decisão. Alguém que decide e homologa, em dias e não em semanas.
- Um recorte pequeno. A primeira versão resolve o gargalo mais caro, não tudo.
- Partir do que já existe. Se o processo hoje vive numa planilha, ela é o melhor documento de requisitos que você tem. As planilhas que viraram sistema mostra como reconhecer esse ponto.
Os custos que quase ninguém coloca no orçamento
O preço de desenvolvimento é o que aparece na proposta. O custo total tem mais linhas:
- Hospedagem e serviços. Servidor, banco de dados, backup, envio de e-mail, domínio. Para sistemas de uso interno, costuma ser uma conta mensal pequena perto do desenvolvimento — mas é mensal, para sempre.
- Manutenção. Biblioteca que fica obsoleta, navegador que muda, falha de segurança que precisa de correção. Software parado envelhece.
- Evolução. Esta é a maior e a mais ignorada. Assim que o processo vai para o sistema, as pessoas passam a enxergá-lo — e começam a pedir melhorias. Isso é sinal de que o sistema está sendo usado, não de que o projeto falhou.
- Tempo da sua equipe. Levantar requisitos, validar, treinar, migrar dados. Não sai na fatura do fornecedor, mas sai do mês de alguém.
Para referência: no mercado de software licenciado, a manutenção anual costuma ficar entre 15% e 22% do valor da licença. Em sistema sob medida não existe uma regra fixa, mas reservar uma capacidade mensal para evolução desde o início evita a surpresa de descobrir, seis meses depois, que o sistema novo não tem quem o mantenha.
Como reduzir o risco do investimento
Preço fechado parece mais seguro, e às vezes é. Mas ele só funciona quando o escopo está completamente definido no começo — o que quase nunca é verdade num processo que nunca foi digitalizado. O resultado comum é um fornecedor que embute margem para o desconhecido e um cliente que descobre, no fim, que pagou pelo escopo errado.
O formato que protege melhor os dois lados tem quatro partes:
- Diagnóstico antes do orçamento. Mapear o processo com quem opera, encontrar o gargalo mais caro e só então estimar. Orçamento feito sem isso é chute com planilha.
- Recorte crítico primeiro. Uma parte do processo em produção, com usuário real, em semanas. Ela já paga parte da conta e ensina o que a segunda parte precisa ter.
- Horas aprovadas por demanda. Cada demanda é estimada em horas e aprovada antes de ser executada. Escopo e custo andam juntos, e a mudança de rumo vira uma decisão, não um aditivo.
- Entrega validada antes de ser cobrada. O que entra na fatura é o que foi homologado.
É assim que trabalhamos na Ada: contratação por capacidade mensal de desenvolvimento, com cada demanda estimada e aprovada antes de começar, e consumo de horas visível no portal do cliente. Não é o único formato possível — mas é o que deixa o cliente decidir, a cada passo, se a próxima hora vale o que custa.
Perguntas frequentes
Qual o valor mínimo para desenvolver um software sob medida?
Um sistema pequeno, com um processo bem definido, começa na casa de R$ 15 mil no mercado brasileiro. Abaixo disso, desconfie: ou o escopo é muito menor do que parece, ou testes, segurança e documentação ficaram de fora.
Software sob medida é mais caro que comprar um sistema pronto?
No começo, quase sempre. A conta muda quando a customização do sistema pronto, a licença por usuário e o trabalho manual em volta dele somam mais que construir o pedaço que falta. Se existe um produto de mercado que resolve, compre.
Preço fechado ou por hora: qual é melhor?
Preço fechado funciona para escopo pequeno e totalmente definido. Para processos que nunca foram digitalizados, horas aprovadas por demanda costumam sair mais baratas, porque ninguém precisa embutir margem para o que ainda não se sabe.
Quanto tempo leva para ficar pronto?
Um sistema simples vai de um a três meses. Uma plataforma com módulos, de três a seis. O mais importante, porém, é quando a primeira parte entra em uso — e isso deveria ser questão de semanas, não do projeto inteiro.
Depois de pronto, o software é meu?
Depende do contrato. Verifique se o código-fonte, o banco de dados e os acessos à hospedagem ficam com a sua empresa. Se o fornecedor sumir, é isso que permite outro continuar.
Como saber se o orçamento que recebi é justo?
Peça a estimativa em horas por módulo, não só o valor total. Divida pelo valor/hora informado e compare com as faixas de mercado. Proposta sem quebra de horas não pode ser comparada com nenhuma outra.
Quer saber em que faixa o seu caso cai antes de pedir orçamento? Agende um diagnóstico ou veja como funciona a frente de software sob medida.